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Cervejaria artesanal: custo por lote, barris contra garrafas e onde o dinheiro congela
Casos de sucesso
Produção

Cervejaria artesanal: custo por lote, barris contra garrafas e onde o dinheiro congela

Olena Smolikova
Olena Smolikova
Financial expert at Finmap

«No ano passado produzimos 240 mil litros — nosso recorde em seis anos. E em novembro eu estava debruçado sobre a calculadora me perguntando de onde tirar dinheiro para o próximo lote de malte. A cervejaria zumbindo, o estoque abarrotado, em três bares a nossa cerveja saindo no chope — e a conta zerada. Para onde foi tudo?» — foi assim que Ostap, fundador de uma cervejaria artesanal, começou nossa conversa.

Se você faz cerveja artesanal, essa história dói porque é familiar. Você faz um produto ótimo, as pessoas arrancam das suas mãos, cada novo lote vende mais rápido que o anterior. E mesmo assim não há sensação de dinheiro. Como se alguém tivesse aberto uma torneira e, em algum ponto entre o tanque de fermentação e a prateleira da loja, a cerveja se transformasse em tudo ao mesmo tempo — em malte, em barris, em imposto, em prazos — em tudo menos em dinheiro na conta.

Ostap faz cerveja há seis anos numa capital do interior. Começou com uma panela de 50 litros num galpão alugado; hoje tem uma sala de brassagem de 1.000 litros por lote, o próprio taproom, cerveja em barris pelos bares da cidade e latas nas prateleiras de mercados locais. O faturamento cresce todo ano. Mas a tranquilidade com o dinheiro só chegou quase neste ano. Vou contar como ele a encontrou — e o que exatamente viu quando finalmente destrinchou a cervejaria em números honestos.

De uma panela num galpão a 240 toneladas por ano

Ostap não é um cara de finanças. É tecnólogo e um tanto fanático: consegue falar uma hora sobre o perfil da água para um lúpulo específico e sobre por que a IPA dele não amarga no segundo dia. Nos primeiros anos tudo se apoiava nisso — no sabor. O dinheiro era contado de forma simples: o que caía no cartão do MEI era o que tinham «ganho». Enquanto a cervejaria era pequena, isso parecia bastar.

Os problemas começaram exatamente quando veio o crescimento. Apareceram distribuidores que levam barris às caixas mas pagam um mês depois. Apareceram mercados que colocam latas na prateleira e acertam ainda mais tarde. Vieram o imposto, a licença, um segundo fermentador, um cervejeiro contratado. O giro aumentou e a clareza encolheu. «Quanto mais eu produzia, menos entendia onde estava o meu dinheiro», diz Ostap. A armadilha clássica do fabricante: a escala cresce enquanto o modelo de controle continua o mesmo da garagem.

Para onde o dinheiro realmente flui numa cervejaria

Quando sentamos para destrinchar a cervejaria em partes, Ostap viu o negócio pela primeira vez não como «produzi — vendi», mas como uma cadeia em que o dinheiro congela em cada elo. Vamos percorrê-la do mesmo jeito que percorremos com ele.

O custo por lote é muito mais do que só o malte

A primeira pergunta que fiz: «Quanto custa produzir um lote?» Ostap disse o preço do malte e do lúpulo. E esse é o erro típico. Porque o custo real de um lote de 1.000 litros é feito de pelo menos estas partes:

  • Malte — a base, a maior rubrica de matéria-prima.
  • Lúpulo — na artesanal se usa muito, principalmente numa IPA com dry hopping, e é caro.
  • Fermento e aditivos — não é um centavo pontual se você não reaproveita o fermento de lote para lote.
  • Energia e água — mostura, fervura, resfriamento, limpeza CIP. Gás e energia num dia de brassagem são um número considerável que quase ninguém coloca no custo por litro.
  • Imposto — o governo tira a parte dele de cada litro, e isso não é «lá na frente», é parte do custo de cada lote.
  • Trabalho do cervejeiro — as horas que uma pessoa gasta num lote e na limpeza também têm preço.

Quando somamos tudo, deu que malte e lúpulo eram só metade do custo real de um lote. A outra metade se escondia na energia, no imposto, no fermento e no trabalho — ou seja, naquilo que Ostap não contava de cabeça. O preço da cerveja ele definia «pelo mercado», não a partir do próprio custo. E em alguns estilos, como se viu, ele quase não ganhava nada.

Rendimento e perdas: você paga por 1.000 litros, vende 850

A segunda coisa que tira o chão de um fabricante são as perdas. Você despeja 1.000 litros de mosto no tanque, mas aos barris e latas não chegam 1.000. Uma parte vai para o trub com o fermento e o lúpulo, outra para a filtragem e as trasfegas, algo azeda ou não fecha no sabor e vai pro ralo. O rendimento real de produto vendável do Ostap era de uns 85% — ou seja, de 1.000 litros iam para a venda uns 850.

E agora atenção: o custo você calcula sobre 1.000, mas o faturamento vem de 850. Se você divide os custos pelos litros «despejados» e não pelos «vendidos», seu custo por litro fica subestimado em uns quinze por cento. E cada lote estragado ou aquém não é só «uma pena» — é dinheiro concreto já gasto em malte, lúpulo e imposto que nunca vai voltar como faturamento.

«Eu achava que produzia com margem de 40%. Quando contamos as perdas e o custo cheio, num dos meus estilos favoritos sobrava 12%. Na prática eu pagava pelo direito de produzi-lo».

Barril, lata ou chope: três negócios diferentes num só

Aqui começou o mais interessante. O litro de cerveja do Ostap é um só, mas o dinheiro que ele deixa é completamente diferente dependendo de como chega à garganta do cliente.

  • Chope próprio (no taproom) — a maior margem. Sem intermediário, sem embalagem, o cliente paga na hora no cartão ou em dinheiro. O dinheiro volta no dia da venda. Mas o volume é limitado pelo salão e pelo movimento.
  • Barris para bares e distribuidores — margem média. O preço por litro é menor, mas os volumes são grandes. A desvantagem: pagam com prazo e é preciso manter uma frota de barris em comodato.
  • Latas e garrafas na prateleira do mercado — a menor margem por litro. Porque entra a embalagem: a lata, a tampa, o rótulo, o trabalho da linha. Além disso os mercados pagam por último e podem devolver o que não vendeu.

Cada canal parece «vender cerveja», mas do ponto de vista do dinheiro são três negócios diferentes, com margens diferentes e, acima de tudo, com velocidade de recebimento completamente diferente. Ostap estava justamente ampliando a distribuição — porque é onde estão os volumes, porque é gostoso ver a sua cerveja em todo lugar. E a distribuição é exatamente o dinheiro mais lento e de margem mais fina que existe.

O distribuidor leva agora e paga depois

Foi aqui que se escondia a maior parte da resposta para «para onde foi o dinheiro». O distribuidor leva um lote de barris hoje e paga em 30, às vezes 45 dias. O mercado — mais tarde ainda. Ou seja, a cerveja você já entregou, o malte e o imposto sobre ela você já pagou, e o dinheiro só chega no mês seguinte. Isso são contas a receber — dinheiro que te devem, mas que você não tem agora.

Some a isso os barris em comodato. Um barril custa dinheiro, e para cada um que foi para um bar você tem, na prática, uma quantia de caução congelada. Quando a frota de barris cresce junto com a distribuição, você tem em metal pelos bares dos outros uma quantia com que dá para produzir mais de um lote. Ostap nunca olhou para isso como «meu dinheiro parado em outro lugar». Mas é exatamente isso.

É a mesma história sobre a qual escrevi à parte: no papel tem lucro, mas na conta não tem dinheiro. No fabricante ela é simplesmente mais aguda, porque entre «gastei» e «recebi» estão a fermentação, o estoque e o prazo.

O dinheiro congelado na cerveja e no estoque

E o último elo. A cerveja não vende no dia da brassagem. Uma lager pode maturar por semanas. Um lote fica no fermentador — e isso já é dinheiro investido que não está trabalhando. Barris e latas prontos esperam no estoque — também capital congelado. Mais o estoque de malte e lúpulo que você compra adiantado, porque sai mais barato ou porque o fornecedor é longe.

Some tudo: cerveja maturando + produto pronto no estoque + matéria-prima + caução nos barris + contas a receber dos distribuidores. Acontece que, em qualquer momento, a maior parte do dinheiro «ganho» está congelada em algum ponto dessa cadeia. É a mesma armadilha do varejo, em que tem lucro mas o dinheiro está preso no estoque — só que numa cervejaria a mercadoria ainda por cima matura.

«Eu achava que tinha um problema de vendas. O que eu tinha era todo o meu dinheiro parado ao mesmo tempo em metal, nos fermentadores e em dívidas dos outros».

A vida antes do Finmap

Antes de colocar ordem, Ostap vivia mais ou menos assim — e desconfio que você vai se reconhecer:

  • Controle na cabeça e em três arquivos. Um Excel era do cervejeiro, outro da esposa, um terceiro vivia na cabeça do próprio Ostap. Tudo era fechado uma vez por trimestre, quando já não dava para lembrar de nada.
  • Custo «no olho». Os preços dos estilos eram definidos pelo mercado. Ninguém sabia ao certo qual estilo sustentava a cervejaria e qual era produzido no prejuízo.
  • Caixa no lugar do lucro. Entrou dinheiro de um distribuidor — «tem dinheiro». Precisa pagar o malte — «não tem dinheiro». Viviam de pagamento em pagamento, sem enxergar o quadro.
  • Aperto de caixa todo mês. Regularmente dava de ter que pagar um lote novo e os salários enquanto o dinheiro dos distribuidores ainda não tinha entrado. Tapavam com a poupança pessoal ou adiavam a compra.
  • Crescimento sem sensação de crescimento. Faturamento maior a cada ano, mas não mais dinheiro na conta. O clássico «produzo muito, mas para o próximo lote não tem».

Como Ostap colocou ordem

Não fizemos revolução nenhuma. Fizemos a coisa chata mas salvadora — juntamos todo o dinheiro da cervejaria num só lugar e passamos a enxergá-lo todo dia, não uma vez por trimestre. Foi isto que mudou em concreto com o Finmap.

Todas as contas e caixas — num quadro só. A conta bancária do MEI, o dinheiro do taproom, a maquininha de cartão — tudo é puxado automaticamente por integrações bancárias e importação automática. Pela primeira vez Ostap viu o saldo real «do negócio inteiro», e não só o da única conta que costumava olhar.

Custo e canais. Cada brassagem e compra foi lançada por categorias: malte, lúpulo, fermento, energia, imposto, embalagem. E as vendas foram marcadas por canal — chope, barris, latas. Agora o Cash Flow e o P&L mostram não o «lucro total», mas a margem de cada canal separadamente. Ficou visível que o chope sustenta enquanto a prateleira do mercado mal fecha no zero.

Contas a receber dos distribuidores sob controle. Quem deve quanto e quando tem que pagar — agora é uma lista, não uma aflição. Dá para ver qual dinheiro já está ganho mas ainda a caminho.

Um calendário de pagamentos. A próxima compra de malte, o imposto, os salários, o aluguel — tudo disposto com antecedência por datas. Um aperto de caixa agora aparece três semanas antes de acontecer, não no dia em que a conta vence.

Ostap curtiu especialmente o consultor de IA: dá para simplesmente perguntar em linguagem comum «quanto eu realmente ganhei com os barris este mês» — e ter a resposta sem garimpar planilhas. Para um tecnólogo que não gosta de contabilidade, isso acabou sendo importante.

As finanças agora

Passaram-se alguns meses. O faturamento de Ostap quase não mudou — ele de propósito não forçou o volume até colocar ordem. Mudou outra coisa: ele finalmente enxerga onde está o dinheiro, e ele parou de sumir.

A grande descoberta foi aquela mesma tabela por canais que antes ele não via de jeito nenhum. Aqui uma versão simplificada de como fica:

Canal de vendaMargem por litroCom que rapidez o dinheiro volta
Chope próprio (taproom)A mais altaNo dia da venda
Barris para bares e distribuidoresMédia30–45 dias + caução dos barris
Latas e garrafas na prateleiraA mais baixa45–60 dias, devoluções possíveis

O que mudou na prática. Ostap subiu o preço de dois estilos que na verdade tocava no prejuízo — e o céu não caiu, porque eles realmente valiam o dinheiro. Ele parou de ampliar o canal de prateleira, o de menor margem, só «para estar em todo lugar», e apostou no próprio chope e numa distribuição previsível. Colocou a caução dos barris nos contratos de forma mais firme e começou a recuperar o metal que ficava anos parado nos bares. E o mais importante — a compra do próximo lote agora é planejada pelo calendário de pagamentos, não pelo princípio de «o distribuidor pagou, corre comprar malte».

O caixa parou de assustar. Pela primeira vez em anos Ostap tirou um salário de dono como manda o figurino, sem medo de que amanhã não houvesse com que pagar o lúpulo.

«Eu não comecei a produzir mais. Comecei a entender o que já produzo. Acabou que isso bastou para o dinheiro parar de sumir».

Um insight para empreendedores. Na indústria, lucro e dinheiro na conta não são a mesma coisa, e o abismo entre os dois é maior do que em qualquer outro lugar. Entre «gastei no malte» e «o distribuidor me pagou» estão as perdas, a maturação, o estoque, a caução nos barris e o prazo. Se você conta o negócio como um caixa só, esse abismo é invisível — e todo mês você se surpreende com o porquê de, com o estoque cheio, não haver dinheiro para o próximo lote. No instante em que você destrincha a cervejaria em canais, custo e dinheiro congelado, a névoa se dissipa. Isso é, no fundo, a unidade econômica de um fabricante — contar não «o negócio no geral», mas por unidade de produto e por canal.

Ordem nas finanças importa mais do que mais um lote

O dinheiro numa cervejaria não some para lugar nenhum. Ele congela — na cerveja que matura, no metal dos barris pelos bares dos outros, nas dívidas dos distribuidores, no malte do estoque. Enquanto você olha para um único caixa comum, não enxerga isso, e parece que o problema é volume: «preciso produzir mais». Mas destrinche o negócio em canais, custo e dinheiro congelado — e fica claro que você não precisa produzir mais. Você precisa enxergar o que já produz.

É exatamente isso que a ordem nas finanças dá: não mais um lote, mas calma e decisões baseadas em números, não no achismo. Experimente olhar para a sua cervejaria de um jeito novo com o Finmap — e em poucas semanas você vai ver qual canal realmente te sustenta e onde o seu dinheiro está congelado.

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Olena Smolikova
Olena Smolikova
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  • Head of Finance Department, Beauty Hub Ltd (2020–2024).
  • Head of Management Accounting and Budgeting, Intime LLC (2016–2020).
  • Senior Economist, EdYouGet LLC (2015–2016).
  • Economist with responsibilities of Deputy CFO, Ukrainian Media Holding (2008–2015).

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Perguntas frequentes

Como calcular corretamente o custo por lote de cerveja?

Pegue todos os custos diretos de uma brassagem específica — malte, lúpulo, fermento e aditivos, água e energia, imposto, o trabalho do cervejeiro — e divida não pelos litros despejados, mas pelos litros de fato vendáveis. Se a sua perda é de 15%, calcule o custo por litro sobre 850 dos 1.000, e não o contrário. Aí o preço vai levar em conta também as perdas.

Porque é dinheiro diferente em velocidades diferentes. O seu próprio chope não tem intermediário nem embalagem e paga na hora — a maior margem. Barris para distribuidores são mais baratos por litro e com prazo. Latas e garrafas somam o custo da embalagem e são o dinheiro mais lento, com devoluções possíveis. Calcule a margem por cada canal separadamente, não «na média da cervejaria».

É o seu dinheiro congelado em metal. Controle quantos barris você tem e com quem estão agora, coloque a caução no contrato e recolha os vazios com regularidade. Quanto maior a frota de barris na distribuição, maior a quantia de fato retirada do seu giro — dá para produzir mais de um lote.

Porque o dinheiro está congelado na cadeia: a cerveja matura, o produto pronto está no estoque, a matéria-prima foi comprada adiantada, os distribuidores pagam com prazo, a caução está nos barris. No papel tem lucro, mas não tem dinheiro livre na conta. Destrinche o negócio em canais e dinheiro congelado — e você vai ver onde ele está parado.

A configuração básica é uma noite: conectar as contas por integrações bancárias, criar as categorias de despesa (malte, lúpulo, energia, imposto, embalagem) e os canais de venda (chope, barris, latas). Depois disso as transações são puxadas automaticamente. Já no primeiro mês você vai ver a margem por canal, as contas a receber dos distribuidores e os pagamentos futuros no calendário.

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