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Ateliê de costura sob medida: onde o lucro se esconde em cada peça
Casos de sucesso
Produção

Ateliê de costura sob medida: onde o lucro se esconde em cada peça

Olena Smolikova
Olena Smolikova
Financial expert at Finmap

«Por mês a gente costura 70 a 80 peças, o faturamento chega perto de ₴340.000. E no fim do mês sobram uns ₴25.000 no cartão. As máquinas zumbem de manhã até a noite, as meninas mal dão conta — então cadê o dinheiro?» — foi assim que Oksana, dona de um ateliê de costura sob medida, começou a conversa.

Familiar? São tantas encomendas que a agenda de costura está lotada com um mês de antecedência. As costureiras não tiram a cabeça das máquinas, a cortadora não dá conta do corte e no direct chovem perguntas do tipo «vai ficar pronto pro casamento?». Enquanto isso, o lucro é fino como um fio de náilon. E o primeiro pensamento é sempre o mesmo: «preciso de mais encomendas, mais anúncios, mais uma costureira». Só que o problema quase nunca está na quantidade de encomendas.

O problema é que o ateliê é contado em um caixa só. Chega um adiantamento por um casaco — dinheiro num monte só. Compra-se um rolo de tecido — do mesmo monte. Paga-se as costureiras — dali também. E enquanto está tudo misturado, você não enxerga uma coisa simples: um vestido te deixa ₴2.200 líquidos, enquanto o casaco ao lado, pelo qual a cliente pagou o dobro, deixa só ₴1.300. As duas peças «ocuparam o ateliê» igualmente. Você conta as duas honestamente como trabalho. Mas quem te sustenta é principalmente uma delas.

Este artigo é sobre desmontar o ateliê em pedacinhos: por peça, por horas de costureira, por tipo de encomenda. Para que você finalmente enxergue o que traz dinheiro e o que só faz as máquinas girarem e cria a sensação de estar ocupada.

A trajetória de Oksana: de uma máquina a um ateliê com cinco costureiras

Oksana começou seis anos atrás em casa, com uma única máquina doméstica e uma overloque emprestada da mãe. Costurava para amigas, depois para amigas de amigas. As encomendas cresceram, ela alugou um ateliê pequeno, colocou duas máquinas industriais e contratou a primeira costureira. Depois uma segunda, uma terceira, uma cortadora. Hoje o ateliê tem cinco postos de trabalho, um fluxo constante de encomendas e uma fila de noivas na primavera.

A história clássica de uma artesã que virou dona. E a armadilha clássica junto: mãos de ouro, peças impecáveis, clientes que voltam — mas as finanças ficaram no nível de «em casa com uma máquina». Oksana ainda punha o preço «no feeling»: olhava o tecido, somava o próprio trabalho «mais ou menos», comparava com a concorrência. Que cada hora de trabalho do ateliê tem um custo próprio, ela não pensava — porque não via isso em lugar nenhum.

«Eu sabia costurar qualquer coisa. Mas não sabia calcular quanto realmente ganhava com aquilo. Punha o preço quase no chute — só pra cliente não se assustar.»

Como o dinheiro num ateliê funciona de verdade

Antes de consertar qualquer coisa, é preciso entender do que o dinheiro na costura sob medida é feito. Aqui tudo gira em torno de três coisas: o custo por peça, o tempo das costureiras e os adiantamentos. Vamos por partes — em palavras simples.

O custo por peça não é só o tecido

O erro mais comum nos ateliês: contar o custo como «tecido mais aviamentos». Tipo assim: comprei ₴700 de material, vendi o vestido por ₴3.500 — ganhei ₴2.800. Bonito, mas não é verdade.

Porque nesse vestido, além do tecido, estão costuradas mais duas grandes rubricas. A primeira é o tempo da costureira: se foram oito horas no vestido e uma hora de trabalho da costureira custa ao ateliê cerca de ₴140 (salário ou por peça, com impostos), isso já dá ₴1.120. A segunda é uma parcela dos custos fixos: aluguel do ateliê, luz, depreciação das máquinas, linhas, agulhas, aviamentos pequenos que não dá para atribuir a uma peça específica. Distribua-os pelas horas de trabalho do ateliê e sobram mais uns ₴90 por hora — ou seja, ₴720 no nosso vestido.

E eis a aritmética real: tecido ₴700 + trabalho ₴1.120 + custos fixos ₴720 = um custo de ₴2.540. Vendido por ₴3.500, você ganhou não ₴2.800, e sim ₴960. Quase três vezes menos. É justamente nesse abismo entre o «parece» e o «na verdade» que o lucro do ateliê se perde.

O tempo da costureira é o mais caro que existe no ateliê

O tecido você vê e conta. Já as horas, não — mesmo sendo o mais caro. Uma costureira assalariada te custa a mesma coisa, seja costurando um vestido de festa complexo, embainhando um jeans ou parada esperando o corte. Cada hora dela tem um preço, não importa quanto esteja em jogo nela.

Daí a grande pergunta do ateliê que quase ninguém se faz: quantas das horas pagas disponíveis realmente trazem margem? Se a costureira passa as oito horas do turno costurando vestidos de boa margem — ótimo. Se metade do dia ela faz pequenos ajustes de ₴450, dos quais, depois do próprio trabalho dela, sobram trocados — o ateliê zumbe, mas ganha pouco. A ocupação é alta, o retorno é baixo.

«Eu achava que meu problema era ter poucas mãos. Descobri que as mãos estavam ocupadas com a coisa errada. Duas costureiras passavam metade da semana remendando e embainhando enquanto a fila de vestidos crescia.»

Adiantamento não é lucro

A costura sob medida vive de adiantamentos: a cliente paga de 50 a 100% na frente, você compra o tecido e coloca a peça em produção. Tem dinheiro na conta — e o cérebro, feliz, entende aquilo como ganho. Isso é uma armadilha.

Um adiantamento é uma obrigação, não um lucro. A cliente pagou ₴7.200 por um casaco, mas a peça ainda não existe: pela frente vêm ₴2.600 de tecido, catorze horas de trabalho da costureira, aviamentos, forro. Tudo isso você vai bancar com esse mesmo dinheiro nas próximas semanas. Se contar os adiantamentos como «receita» e gastá-los em aluguel e salários, na hora de comprar material para as encomendas já aceitas o caixa pode não estar lá. Um clássico rombo de caixa num negócio «supostamente lucrativo».

Uma sutileza à parte: a produção em pequenas séries. Quando o ateliê pega uma encomenda de 10 vestidos iguais ou camisas corporativas, a tentação é comprar o tecido tudo de uma vez «no atacado, porque sai mais barato». Está certo pelo custo, mas é perigoso pelo caixa: um grande gasto único em material adiantado facilmente engole todo o adiantamento e te deixa sem capital de giro para as demais encomendas. As pequenas séries são vantajosas na margem (cortou uma vez, costurou dez), mas exigem que você enxergue a movimentação do dinheiro na frente, e não depois do fato.

A vida antes do Finmap

Enquanto Oksana contava tudo em um caixa só e punha os preços «no feeling», o quadro era este:

  • Preço no olho. O custo de um casaco e o de um vestido ela estimava por alto, e as horas de trabalho não entravam na conta de jeito nenhum. Por isso parte das peças foi vendida por anos quase a zero.
  • Tem dinheiro, mas não tem lucro. Na conta havia adiantamentos de peças futuras — e parecia que estava tudo bem. Mas quando precisava comprar tecido para uma série, tinha que esperar o próximo adiantamento.
  • Costureiras ocupadas, margem afundando. Os pequenos ajustes e consertos enchiam a agenda e aqueciam o caixa com tíquetes miúdos, mas comiam as horas que faltavam para as encomendas caras.
  • Sem clareza do que vender. Oksana não sabia qual tipo de peça trazia mais, então na publicidade e nos stories divulgava o que «fica bonito» em vez do que sustenta o ateliê.
  • Um Excel que ninguém mantém. As tentativas de anotar numa planilha morriam na terceira semana: lançar à mão cada compra de tecido, cada salário e cada adiantamento é irreal quando você ainda costura você mesma.

O resultado era paradoxal: encomendas de sobra, uma ótima reputação, e mesmo assim Oksana tinha medo de tirar um salário decente. «Costuramos muito e o lucro não aparece» — as palavras exatas dela.

Como Oksana colocou as finanças em ordem

A virada veio quando ela quase perdeu uma grande encomenda de 12 vestidos para um grupo de dança: pegou o adiantamento e depois não sobrou dinheiro para comprar o tecido — já tinha ido para aluguel e salários. Aí ficou claro: o problema não era a quantidade de encomendas, e sim o fato de ela não enxergar o próprio dinheiro.

Oksana montou o Finmap e numa única noite configurou o básico. Conectou o banco para que os pagamentos e os recebimentos entrassem automaticamente, em vez de lançados à mão. Criou categorias simples de receita (vestidos / festa / roupas de frio / ajustes e consertos) e de despesa (tecido e aviamentos, salários das costureiras, aluguel do ateliê, equipamento). E passou a marcar cada encomenda como um projeto separado — para ver a rentabilidade não «em geral», e sim por peça específica.

Depois, o calendário de pagamentos. Oksana lançou ali as compras de tecido previstas para as encomendas já aceitas, as datas de salário e de aluguel. Pela primeira vez ela viu o caixa não «agora no cartão», mas com um mês de antecedência: quando os adiantamentos entrariam e quando teria que desembolsar o dinheiro do material. Os rombos de caixa que antes pulavam do nada agora ficavam visíveis com duas semanas de antecedência.

«O que mais me impressionou não foi o relatório, foi o calendário. Finalmente vi que um adiantamento por um vestido não é meu dinheiro — é o tecido que eu ainda tenho que comprar.»

As finanças agora: antes e depois

Quando Oksana abriu o faturamento por tipo de peça e calculou o custo honesto — com tecido, horas de trabalho e custos fixos —, o quadro ficou quase desconfortavelmente claro. Veja como fica a margem em quatro tipos de encomenda (preços e custo são médias do ateliê):

PeçaPreçoCustoMargem
Vestido sob medida₴3.500₴2.540₴960 (27%)
Vestido de festa (complexo)₴6.500₴4.260₴2.240 (34%)
Casaco₴7.200₴5.820₴1.380 (19%)
Ajuste e conserto₴450₴320₴130 (29%)

Viu a pegadinha? O item mais caro da conta — o casaco de ₴7.200 — deixa ao ateliê a margem mais fina, só 19%, porque o tecido caro e as catorze horas de trabalho comem quase tudo. Já um vestido de festa complexo, embora mais barato na conta, deixa uma vez e meia mais líquido. E os ajustes dão ridículos ₴130, mas cada um leva uma hora de costureira — justamente a hora que faltava para um vestido de boa margem.

Em seguida Oksana mediu a ocupação por margem, e não por quantidade. Descobriu que duas costureiras passavam quase metade da semana em pequenos consertos e ajustes. Ela não abriu mão deles de vez — mas subiu o preço deles, reduziu para umas poucas horas por semana e liberou mãos para vestidos e roupas de frio. Além disso, recalculou a tabela de preços: subiu os casacos em 12%, as peças pequenas complexas também, e passou a divulgar os vestidos de festa com mais força nos stories, porque agora sabia com certeza que eram eles que sustentavam o ateliê.

O resultado em três meses: o faturamento cresceu de forma moderada, enquanto o lucro líquido quase dobrou, porque as mesmas mãos e as mesmas máquinas passaram a fazer mais trabalho de boa margem. O caixa parou de «sumir»: o calendário de pagamentos mostrava as compras de tecido com antecedência, e não houve mais nenhuma encomenda perdida por falta de capital de giro.

«Não contratei nenhuma costureira nova nem aumentei a publicidade. Só enxerguei o que vender e por quanto. O lucro quase dobrou com as mesmas pessoas.»

Um insight para empreendedores. O faturamento de um ateliê é barulhento: rolos de tecido, máquinas zumbindo, uma fila de encomendas. A margem é silenciosa. E o que você gasta é a margem, não o faturamento. Enquanto você contar a quantidade de peças costuradas e não o lucro de cada uma, a encomenda mais cara da conta pode acabar sendo a mais pobre em dinheiro.

Como enxergar isso no seu ateliê

Toda essa matemática só funciona quando você a vê todo dia, e não uma vez por ano, quando «alguma coisa não fecha». Veja por onde vale começar — usando ou não o Finmap.

  • Calcule o custo honesto de pelo menos três das suas peças mais vendidas. Não «tecido mais margem», e sim tecido + horas de trabalho × custo da hora + parcela dos custos fixos. É quase garantido que algo vai te surpreender.
  • Atribua a cada encomenda um tipo e, se for grande, um projeto separado. Aí a rentabilidade fica visível por peça, e não «na média do ateliê».
  • Acompanhe a ocupação das costureiras como horas pagas de margem, não como «estar ocupada». Ocupada você está sempre. A questão é: com o quê.
  • Não conte os adiantamentos como lucro. Controle à parte quantas peças você ainda deve às clientes e quanto tecido precisa comprar para elas.
  • Coloque as compras de material no calendário com antecedência, principalmente nas encomendas de pequenas séries, em que o gasto é único e grande.

Se quiser se aprofundar, aqui vão duas leituras úteis: como ver em 15 minutos qual projeto ou encomenda é realmente lucrativo, e por que acontece de haver lucro no papel mas não haver dinheiro na conta. E para desmontar de vez a economia de uma única peça — leia sobre economia unitária para o pequeno negócio.

No Finmap fica assim

Para não contar tudo na mão, Oksana mantém os números num lugar só. Veja o que realmente ajuda o ateliê:

  • Integrações bancárias e importação automática. Os pagamentos das clientes e as compras de tecido entram sozinhos — não precisa lançar cada transação à mão entre uma costura e outra.
  • Receitas por tipo de peça e por encomenda. Cada pagamento aparece por segmento: vestido / festa / roupa de frio / conserto. Fica claro na hora qual linha sustenta o ateliê.
  • Custo e rentabilidade por projeto. Uma encomenda grande você cadastra como projeto separado — e vê a margem dela já com tecido e trabalho, e não «no olho».
  • Calendário de pagamentos. Compras de material, salários, aluguel — tudo com antecedência. Os rombos de caixa aparecem antes de acontecerem.
  • Cash Flow e P&L em linguagem simples. Não uma contabilidade «para o fisco», e sim um painel de controle: onde eu ganho, onde eu perco, com o que pago o tecido amanhã.

E o mais importante — tudo isso em números que a dona entende, e não só o contador.

O dinheiro não some. Você é que não o enxerga

O dinheiro num ateliê não vai a lugar nenhum. Ele simplesmente se dissolve entre rolos de tecido, horas de costureira e dezenas de encomendas enquanto você olha para um único caixa comum. No momento em que você o separa por custo e margem de cada peça, fica claro o que sustenta o ateliê e o que só faz as máquinas girarem. Oksana não contratou ninguém novo nem aumentou o orçamento de publicidade — ela simplesmente colocou as finanças em ordem e começou a enxergar o próprio dinheiro.

Experimente olhar para o seu ateliê de um jeito novo7 dias grátis, sem cadastrar cartão. Em uma semana você já vai ver qual peça realmente dá lucro e qual só cria a sensação de que vocês costuram muito.

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Olena Smolikova
Olena Smolikova
Financial expert at Finmap
  • Head of Finance Department, Beauty Hub Ltd (2020–2024).
  • Head of Management Accounting and Budgeting, Intime LLC (2016–2020).
  • Senior Economist, EdYouGet LLC (2015–2016).
  • Economist with responsibilities of Deputy CFO, Ukrainian Media Holding (2008–2015).

Recomendado para empreendedores

Perguntas frequentes

Tenho um ateliê pequeno e costuro quase tudo eu mesma — preciso disso mesmo?

É justamente num ateliê pequeno que cada hora mal calculada e cada peça de baixa margem doem mais, porque os recursos são poucos. Quanto menor o ateliê, mais importa saber qual peça te sustenta e qual só faz a máquina girar. E lance também o seu próprio trabalho com honestidade no custo.

Pegue o custo mensal completo da costureira (salário ou por peça, mais impostos e encargos) e divida pelo número de horas efetivamente trabalhadas no mês. Isso te dá o custo por hora. É esse número que você multiplica pelas horas de costura de cada peça, em vez de somar «mais ou menos pelo trabalho».

Registre o dinheiro na conta, mas lembre: é uma obrigação, não um lucro. Controle à parte quantas peças você ainda deve às clientes e quanto tecido precisa comprar para elas. Senão, é fácil gastar o adiantamento e ficar sem dinheiro para o material.

Pegue, mas com consciência. Calcule a margem deles já com a hora da costureira — muitas vezes é mínima. Suba o preço deles e limite as horas por semana, para que o miúdo não coma as mãos de que você precisa nas encomendas de boa margem.

Basicamente uma noite: conectar o banco, adicionar os tipos de peça e as categorias de despesa, cadastrar algumas encomendas grandes como projetos. Depois disso são segundos a cada pagamento. Já no primeiro mês você vê a margem por peça e passa a precificar com números, não no feeling.

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