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Imobiliária: a comissão entra, o dinheiro some — repasses aos corretores e fluxo de caixa
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Imobiliária: a comissão entra, o dinheiro some — repasses aos corretores e fluxo de caixa

Olena Smolikova
Olena Smolikova
Financial expert at Finmap

«Na conta às vezes tem meio milhão, e duas semanas depois eu não tenho com que pagar o aluguel do escritório. A comissão entra, os negócios fecham — então para onde vai tudo isso?» — foi assim que André, dono de uma imobiliária com doze corretores, começou a conversa.

Familiar? Foi um mês barulhento: sete negócios fechados, corretores felizes, quase 900.000 ₴ caíram na conta. Três semanas depois você conta o saldo e calcula com o que cobrir os salários e o aluguel. O mês seguinte é silêncio: dois negócios, 240.000 ₴, e as mesmas despesas de sempre. E o primeiro pensamento é sempre o mesmo: «preciso de mais imóveis, mais anúncios, mais ligações frias». Só que o problema quase nunca está na quantidade de negócios.

O problema é que a imobiliária é contada como um único caixa. Tudo o que entra dos clientes cai numa só panela. Tudo o que sai vem da mesma panela. E enquanto os números estão amontoados, o dono não enxerga o mais simples: a maior parte daquele «meio milhão» na conta não é dinheiro da imobiliária. É a comissão dos corretores que você ainda deve repassar a eles. Você olha o saldo e se sente rico — bem até o dia do pagamento.

Este artigo é sobre decompor o dinheiro da imobiliária em pedaços honestos: que parte da comissão é de fato sua, que parte pertence ao corretor e que parte nem sequer chegou à conta ainda. Para que o saldo do banco finalmente signifique o que diz, em vez de brincar de esconde-esconde com você.

De corretor a dono: o caminho de André

André começou sozinho. Sete anos atrás era um corretor comum — corria para as visitas, ligava para a base à noite, comemorava cada negócio fechado como uma vitória pessoal. Contar o dinheiro era fácil: o que você ganhava de comissão no mês era seu, menos os impostos. Todo o «sistema financeiro» cabia numa única nota no celular, e isso bastava de sobra.

Depois veio o primeiro corretor contratado, e atrás dele mais dois. Três anos depois já havia oito pessoas no escritório, entrou uma administradora, alugaram um espaço maior no centro e compraram pacotes em dois grandes portais de imóveis. A imobiliária crescia — e junto crescia a confusão. O que antes era uma simples nota de «ganhei — gastei» virou um novelo de comissões alheias, repasses diferentes, sinais e contas mensais que precisam ser pagas independentemente de o mês ter sido barulhento ou mudo.

«O mais engraçado é que, enquanto eu trabalhava sozinho, conhecia minha economia até o último centavo. E quando cresci para doze pessoas e comecei a ganhar muitas vezes mais — parei de entender por completo se estava no azul ou no vermelho».

De onde vem o dinheiro numa imobiliária — em palavras simples

Imagine um negócio. Um corretor achou comprador para um apartamento, fez as visitas, aproximou as partes, levou tudo até o cartório. O cliente paga à imobiliária uma comissão — digamos, 4% do valor do imóvel. Venderam um apartamento por 2.000.000 ₴: comissão de 80.000 ₴. Boa quantia, ao que parece. Mas esses 80.000 não são inteiramente seus. Deles, o corretor tira o repasse dele — muitas vezes 40–50%. Ou seja, 32.000–40.000 ₴ já estão «comprometidos»: pertencem a quem trouxe o negócio. À imobiliária sobra a outra metade, e dela ainda é preciso pagar aluguel, anúncios, assinaturas dos portais, a administradora e os impostos.

A fórmula aqui é coisa de criança, e é exatamente por isso que dá para confiar nela: comissão menos o repasse do corretor = receita da imobiliária. E, em seguida, receita da imobiliária menos custos fixos = seu lucro. Todo o problema é que, na conta bancária, essas três coisas ficam num monte só. A comissão entrou inteira — e parece «meu dinheiro», embora metade dela tenha que ir para o corretor já na semana que vem.

Agora acrescente uma segunda camada — o tempo. No ramo imobiliário o dinheiro não entra num fluxo constante, mas aos saltos. Um negócio fechou na terça e 120.000 ₴ caíram na conta. O próximo, só dali a três semanas. Alguns negócios são pagos em etapas: um sinal na reserva, o resto depois do cartório. Às vezes até a comissão é dividida: uma parte adiantada, outra «quando a propriedade for transferida». E enquanto você espera o fechamento, o aluguel do escritório, os salários dos administradores e as assinaturas dos portais pingam todo dia — parelho e implacável.

«Eu tinha certeza de que estava lucrando. Na verdade, eu só segurava nas mãos o dinheiro dos corretores entre o dia do negócio e o dia do repasse».

Por que «tem comissão» ainda não é «tem dinheiro»

Uma conta cheia tranquiliza. Você entra no banco, vê uma cifra de seis dígitos — e pensa que está tudo bem, estamos trabalhando. Mas por trás dessa cifra se escondem três carteiras diferentes que só por acaso foram parar no mesmo lugar. A primeira é o dinheiro da imobiliária, o que de fato sobra depois dos repasses. A segunda é a comissão dos corretores que você é obrigado a repassar — ela só está de visita na sua conta. A terceira são os sinais e adiantamentos, que nem foram ganhos ainda e podem voltar se o negócio cair.

Por isso «tem comissão» e «tem dinheiro» são duas histórias diferentes:

  • A receita salta, os custos não. Um mês sete negócios, o seguinte dois. Aluguel, salários da administração e portais custam o mesmo todo mês, não importa a quantos cartórios você foi.
  • A comissão chega em etapas. Uma parte no sinal, outra depois da transferência da propriedade. A conta pode estar «vazia» justamente quando, no papel, o negócio está quase fechado.
  • O dinheiro dos corretores está na mesma conta. Enquanto você não paga os repasses, o saldo está inflado e mente na sua cara.
  • Os sinais ainda não foram ganhos. O cliente deixou um sinal, o dinheiro caiu na conta — mas isso não é seu lucro, é a obrigação de levar o negócio até o fim.

Junte tudo isso e você tem o clássico buraco de caixa: no papel parece haver lucro, mas numa terça-feira específica não há nenhum na conta. Detalhamos esse efeito num artigo à parte sobre por que tem lucro, mas não tem dinheiro na conta — vale a leitura se a sensação de «eu ganho, mas não vejo o dinheiro» for familiar para você.

A vida antes do Finmap: «tem na conta, mas não tem paz»

Antes de pôr ordem nisso, André vivia em modo de ansiedade permanente. No papel a imobiliária crescia: mais corretores, mais negócios, meses mais barulhentos. Mas a sensação de controle derretia diante dos olhos. É assim que ele mesmo descreve aquela época:

  • «Olho o saldo e não consigo dizer quanto disso é meu e quanto é dos corretores a quem ainda devo um repasse».
  • «Um mês barulhento — seis negócios fechados — e três semanas depois eu pego emprestado do meu próprio pé-de-meia para cobrir o aluguel».
  • «Não lembro por qual negócio ainda nos devem a comissão e por qual nós mesmos já deveríamos ter acertado com o corretor».
  • «Anúncios e assinaturas de portais dão uns 90 mil por mês, mas não faço ideia de quais realmente trazem negócios e quais só ficam bonitos no relatório».
  • «No fim do ano a contadora diz que tem lucro. E eu nunca o vi nem o segurei nas mãos, uma vez sequer».

O pior eram os repasses aos corretores. Os repasses eram combinados de boca e ficavam flutuando: para um 45%, para outro 50%, para um terceiro «neste negócio, um caso especial». Metade dos acordos vivia na cabeça e nas conversas de chat. Duas vezes aconteceu de um corretor receber mais do que devia, e André só descobriu meio ano depois — quando aquele dinheiro havia muito tinha se dissolvido.

«O mais assustador não era eu não estar lucrando. Era eu não ter a menor ideia do meu estado — no azul ou no vermelho — só olhando o banco».

Como André pôs ordem nisso

O ponto de virada foi quase constrangedoramente simples. André sentou e desmembrou com honestidade um único negócio, da primeira ligação ao repasse do corretor. Uma comissão de 96.000 ₴, um repasse de 48.000 ao corretor, impostos, a fatia dos anúncios que trouxe aquele contato. No saldo seco, à imobiliária sobrava menos do que ele imaginava. Foi aí que ficou claro: é preciso contar não «o caixa», mas cada negócio separadamente — como um pequeno projeto com receita própria e custos próprios.

Depois ele fez quatro coisas, e é exatamente nesse passo que o Finmap entrou — como a ferramenta que segura o quadro inteiro no lugar da cabeça dele e das conversas de chat:

  • Separou as carteiras. O dinheiro da imobiliária, a comissão dos corretores a repassar e os sinais dos clientes deixaram de ser um monte só. Agora dá para ver que fatia do saldo está de fato livre e qual só está «de visita».
  • Cadastrou cada tipo de negócio como uma direção. Venda, locação, comercial, lançamentos — projetos separados. Na hora se vê qual segmento alimenta a imobiliária e qual só cria movimento e números bonitos de faturamento.
  • Conectou o banco no autoimport. Os pagamentos entram sozinhos, cada um recebe seu negócio, seu corretor e o tipo de operação. Antes era uma noite com o extrato no fim do mês — agora são segundos por transação.
  • Montou um calendário de pagamentos. Aluguel, salários, impostos, assinaturas dos portais e repasses previstos aos corretores — tudo planejado com antecedência. O buraco de caixa agora aparece duas semanas antes de virar problema.

À parte, André pôs ordem nas pendências. Quais clientes ainda devem a comissão depois do cartório, a quais corretores a imobiliária deve um repasse — tudo isso agora fica num só lugar, e não em três chats e uma planilha amassada. Se é justamente esse tema que te dói, veja como reunir contas a receber e a pagar num único painel — para uma imobiliária, isso é metade da paz. E para que os custos parem de assustar no fim do mês, ajuda um calendário de pagamentos simples, mas disciplinado.

O importante é que isso não é contabilidade «para o Fisco». É um quadro financeiro para o dono: onde eu ganho, onde eu perco, quanto da conta é de fato meu e com o que eu vou pagar os salários na próxima terça. O Finmap mostra o Cash Flow e o P&L em números simples que o dono entende, não só um contador contratado. E ainda um consultor de IA avisa — por exemplo, quando os repasses aos corretores da semana que vem forem maiores do que os recebimentos esperados.

As finanças agora: antes e depois

A primeira coisa que mudou: André parou de confundir «tem muito na conta» com «ganhei muito». Agora, ao abrir o Finmap, ele vê de imediato que dos 620.000 ₴ no banco, só 180.000 é dinheiro livre da imobiliária — o resto vai para corretores e impostos. É um número desconfortavelmente honesto, mas é justo ele que o salva de decisões bobas do tipo «ah, tem dinheiro, vamos comprar anúncio novo».

A segunda: ficou visível quais negócios de fato alimentam a imobiliária. Aqui está um quadro simplificado de alguns tipos de negócio, para você sentir a ideia:

Tipo de negócioComissão da imobiliáriaRepasse do corretorSobra para a imobiliária
Venda de apartamento, 2.000.000 ₴80.000 ₴40.000 ₴ (50%)40.000 ₴
Locação de apartamento (taxa mensal)18.000 ₴9.000 ₴ (50%)9.000 ₴
Venda premium, 6.000.000 ₴240.000 ₴96.000 ₴ (40%)144.000 ₴
Locação «chave na mão», taxa promocional12.000 ₴7.200 ₴ (60%)4.800 ₴

Viu o truque? Dez negócios de locação a 18.000 ₴ de comissão cada trovejam no relatório de faturamento como uma tempestade — 180.000 ₴! Mas à imobiliária sobram deles só 90.000, e ainda por cima os corretores se dedicam a eles não menos do que às vendas. Uma única venda premium com 240.000 ₴ de comissão deixa para a imobiliária 144.000 líquidos — mais do que aqueles dez negócios de locação juntos. Mas no «caixa geral» todos pareciam igualmente sólidos.

E agora imagine um mês lotado de locações pequenas a taxas promocionais, em que os corretores levam 60%. O caixa troveja, os corretores ralando, e na conta da imobiliária assentam alguns trocados. É daí que vem aquela sensação: «a gente trabalha feito condenado e não tem dinheiro».

«Quando vi que uma única venda premium alimenta a imobiliária melhor do que uma dúzia de locações, dormi tranquilo pela primeira vez em três anos. Porque finalmente entendi para onde puxar a equipe».

A terceira: sumiram as surpresas desagradáveis com os repasses. O repasse de cada corretor está fixado, cada negócio está etiquetado, e André vê com antecedência: esta semana vão entrar 300.000 de comissão, dos quais 140.000 são para repassar. Nada mais de «opa, achei que esse dinheiro era meu».

Um insight para os empreendedores

A principal armadilha de uma imobiliária não é a baixa quantidade de negócios nem os «corretores fracos». É o hábito de medir o negócio pelo saldo da conta. Num negócio em que metade do dinheiro no banco pertence aos corretores e a receita chega em saltos irregulares, o saldo mente quase sempre. Ou está inflado por repasses alheios, ou está vazio entre os fechamentos — e nos dois casos não te diz nada sobre o real estado das coisas.

A verdade mora em outro lugar: na margem de cada negócio e no calendário de pagamentos. Assim que você reparte o dinheiro em «meu / dos corretores / sinais dos clientes» e vê os custos com antecedência, a neblina se dissipa. Você para de confundir um mês barulhento com um mês lucrativo e começa a levar a equipe para onde a imobiliária de fato ganha. E quanto menos corretores você tem, mais crítico é enxergar isso com clareza, porque uma equipe pequena não tem margem de segurança para erros caros.

O dinheiro não some. Você só está olhando para o lugar errado.

O dinheiro numa imobiliária não vai para lugar nenhum. Ele simplesmente se dissolve entre os repasses dos corretores, os sinais dos clientes e os fechamentos irregulares — enquanto você fica encarando um único caixa comum. Assim que você o desmembra por negócio e vê os custos com antecedência, o essencial se torna visível: o que alimenta o negócio e o que só cria movimento e cansaço. E aí o saldo da conta deixa de ser um enigma.

Experimente olhar para a sua imobiliária de um jeito novo — comece no Finmap de graça, 14 dias sem precisar de cartão. Já no primeiro mês você vai ver quanto da conta é de fato seu, quais negócios alimentam a imobiliária e onde você perde dinheiro em silêncio todo mês.

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Olena Smolikova
Olena Smolikova
Financial expert at Finmap
  • Head of Finance Department, Beauty Hub Ltd (2020–2024).
  • Head of Management Accounting and Budgeting, Intime LLC (2016–2020).
  • Senior Economist, EdYouGet LLC (2015–2016).
  • Economist with responsibilities of Deputy CFO, Ukrainian Media Holding (2008–2015).

Recomendado para empreendedores

Perguntas frequentes

Tenho uma imobiliária pequena com três corretores — eu preciso mesmo disso?

É justamente numa imobiliária pequena que cada negócio não lucrativo e cada mês a mais de «silêncio» doem mais, porque não há margem de segurança. Quanto menor a equipe, mais importa saber quais negócios alimentam o negócio e quanto da conta é de fato seu ante o que pertence aos corretores.

Trate o negócio como um projeto à parte e registre cada parcela separadamente: o sinal, o pagamento restante depois do cartório. Aí você vê quanto do negócio já entrou e quanto ainda está a receber. O essencial é não tratar o sinal como lucro: enquanto o negócio não fecha, é uma obrigação, não algo ganho.

O mais honesto é tratar o repasse como uma despesa direta do negócio específico. Aí a receita da imobiliária se calcula sozinha: comissão menos repasse. Assim você vê na hora a contribuição real de cada negócio, e não um saldo inflado em que há dinheiro alheio.

Não existe uma cifra universal — tudo depende do seu modelo e da sua margem. Em vez do repasse «de sempre», calcule quanto sobra para a imobiliária depois de pagar o corretor e os impostos em cada tipo de negócio. Muitas vezes, nas vendas caras compensa uma porcentagem menor para o corretor, enquanto o modelo das locações vale a pena repensar por completo.

Basicamente uma noite: conectar o banco, cadastrar corretores e tipos de negócio como direções, e fixar os repasses. Depois disso são segundos por pagamento graças ao autoimport. Já no primeiro mês você vai ver a margem por negócio e o calendário de caixa com antecedência — e vai poder tomar decisões com números, e não no feeling.

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