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Locadora de carros: taxa de utilização da frota e depreciação, não só o número de carros
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Locadora de carros: taxa de utilização da frota e depreciação, não só o número de carros

Olena Smolikova
Olena Smolikova
Financial expert at Finmap

“Temos 22 carros. No pico da temporada, de maio a setembro, o caixa chega a quase ₴900,000 por mês. Mas em fevereiro eu sento para calcular o leasing e não tem com o que pagar. O pátio lotado de carros, e sem dinheiro para a nova temporada. Por muito tempo eu não conseguia entender: tem um monte de carros, eles estão rodando… então para onde vai tudo?” — foi assim que Ihor, dono de uma locadora de carros, abriu nossa conversa.

Soa familiar? A frota cresce, no Instagram só tem crossover novo, os clientes reservam com semanas de antecedência. Mas no fim do inverno a conta está vazia, e cada parcela do leasing vira uma caça ao tesouro. E o primeiro pensamento é sempre o mesmo: “preciso de mais carros, mais anúncios, mais reservas”. Só que o problema quase nunca está no número de carros.

O problema é que a locadora é contada como um caixa só. Tudo que entra da locação vai para uma única panela. Leasing, seguros, consertos, lavagem, multas — tudo da mesma panela. E enquanto os números estão misturados, você não enxerga uma coisa simples: um carro te dá ₴18,000 líquidos por mês, enquanto outro dá prejuízo em silêncio, porque fica parado no pátio e continua comendo o próprio leasing e o seguro total. Os dois parecem iguais — brilhando, segurados, “em operação”. Mas só um deles te alimenta.

Este artigo é sobre como quebrar a locadora em pedacinhos: por cada carro, por temporada, por custo real. Para você finalmente ver qual carro traz o dinheiro e qual só fica ali bonito comendo o seu orçamento.

Como Ihor chegou a 22 carros

Ihor começou sem plano de negócio nenhum. Tinha um Skoda próprio, que ele alugava para conhecidos nos fins de semana enquanto fazia um extra dirigindo táxi. Depois um segundo carro, no crédito. Depois um terceiro. Havia demanda, os clientes voltavam, e cada grívnia que sobrava ia direto para o próximo veículo — quase sempre no leasing.

Em quatro anos, de um Skoda cresceu uma frota de 22 carros: classe econômica para a locação diária, alguns crossovers para famílias e turistas, um ou dois carros “para casamentos e ensaios de fotos”. Parecia sucesso — de fora e no feed. Mas quanto maior ficava a frota, mais Ihor se pegava pensando: o faturamento sobe, mas o dinheiro na conta não aumenta. Cada carro novo deveria trazer lucro e, em vez disso, acrescentava mais uma parcela de leasing e mais uma apólice.

“Eu achava que ganhava no faturamento. Na real, só ficava passando dinheiro da locação para o leasing e de volta — e entre essas duas pilhas sobrava cada vez menos que era meu”.

Como o dinheiro realmente funciona na locadora de carros

Na locadora de carros, o lucro não é decidido pelas reservas, e sim por quatro coisas que quase ninguém calcula separadamente: a utilização de cada carro, o seu custo real, a depreciação e a sazonalidade. Vamos uma por uma.

Utilização da frota: carro parado é prejuízo puro

Imagine cada carro como uma lojinha sobre rodas que você pegou no leasing. Ele fica disponível para locação uns 30 dias por mês. Quantos desses dias ele de fato roda por dinheiro — essa é a sua utilização.

Aqui vai um número que dá um choque de realidade. Um carro econômico no leasing te custa cerca de ₴14,000 por mês só para a “casca”: a parcela do leasing, o seguro total, o imposto do veículo, uma fatia da manutenção. É uma despesa que pinga todo dia, esteja o carro rodando ou parado. Dá cerca de ₴470 por dia — antes de combustível, lavagem e salários.

Isso significa uma coisa simples: cada dia em que o carro fica parado no pátio é menos ₴470 que você já gastou mas não ganhou nada em cima. Se um carro roda a 40% em vez de 70%, ele come em silêncio milhares de grívnias todo mês — e você não vê em lugar nenhum, porque no caixa comum não existe uma linha separada para o “prejuízo por ociosidade”.

Calcule a utilização com honestidade: não “quantas reservas”, e sim quantos dias pagos dos dias disponíveis. É um dos números mais importantes da locadora, e quase ninguém acompanha isso por carro.

O custo real por carro: locação ainda não é lucro

O cliente pagou ₴1,500 por um dia — e no caixa tem uma boa quantia. Mas quanto disso é de fato seu? Tire o combustível (se o carro voltou sem abastecer), a lavagem depois de cada cliente, a fatia do leasing e do seguro daquele dia, o pequeno serviço — e ₴1,500 viram rapidinho ₴600–700 de margem. E se naquela semana o carro ficou duas vezes na oficina e voltou sujo três vezes — aí menos ainda.

A fórmula aqui é de criança, e é justamente por isso que dá para confiar nela: receita menos custos diretos menos manutenção do carro = margem do carro. Custos diretos são combustível, lavagem, pequenos consertos depois da locação. Manutenção é leasing, seguro total, revisão, imposto. Aprenda primeiro a enxergar a margem por carro, e não pela frota inteira no bolo — e metade da névoa se dissipa.

Depreciação: a despesa invisível que todo mundo esquece

Aqui está a mais traiçoeira. Um carro que você comprou por ₴700,000 vale ₴480,000 dois anos depois. Essa diferença — ₴220,000 — também é sua despesa, só que ela não chega como boleto no e-mail. Cada quilômetro rodado, cada temporada de locação intensa tira do valor do carro um dinheiro bem real.

A maioria das locadoras não calcula isso — e por isso se surpreende de verdade quando chega a hora de vender o carro e comprar um novo. Aí se descobre que, nos anos de locação, o carro “faturou” um monte, mas metade desse faturamento foi comida pela perda de valor que ninguém colocou no preço da diária. A depreciação não é uma abstração contábil. É um fundo real para renovar a frota, que deveria acumular a cada locação. Se você não separa, o dinheiro para um carro novo vai ter que sair de novo do leasing, e o círculo se fecha.

Sazonalidade: o verão alimenta, o inverno devora

A locadora de carros respira com a temporada. De maio a setembro é o pico: turistas, casamentos, férias, utilização perto de 80%. De novembro a fevereiro é a queda: a demanda cai pela metade, enquanto leasing, seguro e impostos são pagos igualzinho todo mês, como se nada tivesse acontecido.

É daí que vem aquele “sem dinheiro para a nova temporada”. No verão o caixa trovoa, e parece que dá para bancar mais um carro. Você o pega no leasing — e carrega mais uma parcela fixa que vai ter que arrastar também pelo morto fevereiro. O lucro dos meses de pico não deve ser consumido, e sim separado para as parcelas de inverno e o preparo da frota na primavera. Quem não faz isso começa todo fevereiro a mesma caça ao “de onde eu tiro para o leasing”.

A vida antes do Finmap

Na maioria das vezes o dono de uma locadora chega até mim com frases assim:

  • “No verão sobra dinheiro, mas até março quase vendo carros só para fechar o leasing”.
  • “Tenho 22 carros, mas não sei te dizer qual deles realmente ganha e qual só leva a si mesmo para a oficina”.
  • “Comprei mais um crossover porque tinha demanda. Agora ele fica parado mais do que roda — e me puxa para baixo”.
  • “Cauções dos clientes, dinheiro da locação, parcelas do leasing — tudo numa conta só. Não sei onde acaba o meu dinheiro e começa o dos outros”.
  • “Um carro bateu, o conserto comeu toda a margem do mês daquele carro, e eu só percebi no fim do trimestre”.

Por trás de cada uma dessas frases está a mesma coisa: a locadora é contada como caixa, não como margem por carro e por temporada. Com o Ihor era exatamente assim — um Excel onde o administrador lançava as reservas, e um app do banco onde tudo se fundia num monte só. As cauções dos clientes ficavam na mesma conta do capital de giro, então nos meses de pico parecia que tinha mais na conta do que realmente tinha. E aí um cliente devolvia o carro — e a caução tinha que ser devolvida do “nada”.

“Eu vivia de temporada em temporada, feito num balanço. No verão um rei, no inverno um mendigo. E todo ano a mesma coisa, como se fosse a primeira vez”.

Como Ihor colocou ordem

Começamos pelo simples — separar o dinheiro e enxergar cada carro por conta própria. Ihor cadastrou cada carro como uma direção separada e passou a marcar cada pagamento: qual carro, qual tipo de locação (diária / semana / longo prazo / casamento) e, à parte, se era caução ou locação.

Depois distribuímos as despesas. Leasing, seguro total e imposto foram “amarrados” a um carro específico — agora cada carro carrega o próprio custo em vez de se esconder na panela comum. Combustível, lavagem e conserto também passaram a ser lançados por carro. E, à parte, criamos um fundo de depreciação: de cada locação, separar uns 10% simbólicos para a futura renovação da frota.

Já no primeiro mês o quadro ficou quase incomodamente claro. Os dois carros premium “de casamento” dos quais Ihor se orgulhava davam um caixa barulhento, mas depois do leasing e do caro seguro total sobrava menos do que um econômico modesto que rodava quase todo dia. E um crossover, pego “porque tinha demanda”, ficou parado 18 dos 30 dias — e era um puro prejuízo.

As finanças hoje

Seis meses depois, Ihor parou de olhar o caixa total e passou a olhar a margem por carro. Veja como ficou em três carros reveladores num mês qualquer de baixa temporada.

CarroUtilizaçãoMargem/mês após leasing
Econômico (locação diária)24 de 30 dias+₴16,500
Crossover (famílias, turistas)17 de 30 dias+₴7,200
Premium “para casamentos”6 de 30 dias−₴3,400

Viu a jogada? O carro mais caro e mais prestigioso da frota dava prejuízo na baixa temporada — porque o alto leasing e o seguro total não eram cobertos por seis dias de locação. Enquanto o econômico modesto, no qual ninguém prestava atenção, alimentava o negócio em silêncio.

Ihor não saiu correndo para vender o premium — ele o passou para outro modelo: subiu o preço para as datas de temporada, tirou da tabela diária e o deixou só para eventos, onde a margem é alta. O crossover parado ele passou para locação de longo prazo para um cliente corporativo — uma diária menor, mas 30 dias estáveis de utilização em vez de 17. E os dois carros mais fracos ele vendeu enquanto ainda não tinham perdido valor, e com eles fechou parte do leasing.

O mais importante — Ihor começou a enxergar a temporada com antecedência. No Finmap ele montou um plano por mês: quanto espera no verão, quanto vai cair no inverno. E agora o lucro dos meses de pico não é “consumido”, e sim vira um colchão para as parcelas de leasing do inverno. Pela primeira vez em quatro anos, fevereiro passou sem a caça ao “de onde eu tiro dinheiro”.

“Receita é barulhenta. Margem por carro é silenciosa. E o que eu gasto é justamente a margem, não a receita”.

Como funciona no Finmap

Toda essa matemática só funciona quando você a vê todo dia, e não uma vez por trimestre num Excel surrado. Veja como fica no Finmap.

  • Integrações bancárias e importação automática. Os pagamentos da conta entram sozinhos; para você resta só marcar o carro e o tipo de operação. As cauções ficam separadas da locação — e você não confunde mais o dinheiro dos outros com o seu.
  • Direções por carro. Cada carro é uma direção separada com suas próprias receitas e despesas. Dá para ver a margem por carro, não “a média da frota”.
  • Cash Flow e P&L. Um relatório mostra a movimentação do dinheiro; o outro, o lucro real considerando a depreciação como ativo. Você finalmente vê a diferença entre “tem dinheiro na conta” e “o negócio é lucrativo”.
  • Calendário de pagamentos para o leasing. Todas as parcelas do leasing, seguros e impostos — com antecedência no calendário. Você vê os buracos de caixa antes de eles acontecerem e não cai num fevereiro sem dinheiro.
  • Planejado/realizado para a temporada. Você define expectativas por mês e compara com o realizado. O pico não é mais “consumido”, e sim trabalha para o inverno.

E o mais importante — isso não é contabilidade “para o Fisco”. É o seu painel de controle da locadora: qual carro ganha, qual come o orçamento e com o que pagar o leasing na temporada morta. É justamente aquela ordem nas finanças em que as decisões são tomadas com base em números, e não no achismo.

Um insight para empreendedores. Na locadora, uma frota grande não é um ativo, e sim um passivo enquanto você não conhece a margem de cada carro. Um carro com 70% de utilização costuma ser mais lucrativo que três carros a 30%. É preciso crescer não pelo número de carros, e sim pela utilização e margem dos que você já tem.

Se você quer entender mais a fundo do que é feita a receita de um único carro, leia como calcular a unit economics de um pequeno negócio. E se o que dói é justamente o “tem faturamento, mas não tem dinheiro” — aqui vai uma análise à parte de por que há lucro, mas não há dinheiro na conta. E para o pico não ser consumido de novo — como comparar planejado e realizado por mês.

Você não precisa de mais carros. Você precisa enxergar qual carro alimenta a locadora e qual a devora em silêncio no pátio.

O dinheiro não some. Você só não o enxerga

O dinheiro na locadora não some para lugar nenhum. Ele simplesmente se dissolve entre carros, temporadas e parcelas de leasing enquanto você olha para um único caixa comum. Assim que você o quebra pela margem de cada carro e coloca a depreciação e a temporada com antecedência — fica claro o que alimenta o negócio e o que só fica ali bonito comendo o orçamento. O Finmap mostra isso todo dia, com números simples que um dono entende, não só um contador.

Experimente olhar para a sua frota de um jeito novo7 dias grátis, sem cadastrar cartão. Em uma semana você já vai ver qual carro realmente traz o dinheiro e qual está na hora de vender ou passar para o longo prazo.

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Olena Smolikova
Olena Smolikova
Financial expert at Finmap
  • Head of Finance Department, Beauty Hub Ltd (2020–2024).
  • Head of Management Accounting and Budgeting, Intime LLC (2016–2020).
  • Senior Economist, EdYouGet LLC (2015–2016).
  • Economist with responsibilities of Deputy CFO, Ukrainian Media Holding (2008–2015).

Recomendado para empreendedores

Perguntas frequentes

Só tenho 5 carros — eu preciso mesmo disso?

É justamente numa frota pequena que cada carro parado e cada parcela de leasing doem mais, porque você tem pouca margem de segurança. Quanto menor a frota, mais importa saber qual carro te alimenta e qual só leva a si mesmo para a oficina.

O mais simples é separar um percentual fixo de cada locação (por exemplo, 10%) num fundo à parte para renovar a frota. Não precisa de fórmulas de livro-texto: o importante é que o dinheiro para um carro novo não saia toda vez de um leasing novo.

Mantenha-as separadas da locação e não conte como receita. É dinheiro de terceiros que você tem que devolver. Se misturar as cauções com o capital de giro, na alta temporada vai parecer que tem mais dinheiro do que tem, e depois não vai ter com o que devolver.

Não. Utilização são os dias pagos dos dias disponíveis, não o número de pedidos. Cinco reservas curtas com ociosidade entre elas podem dar uma utilização pior do que um cliente de longo prazo. Conte exatamente os dias pagos por carro.

Basicamente uma noite: adicionar cada carro como uma direção, conectar o banco para a importação automática e distribuir o leasing e os seguros entre os carros. Depois são segundos em cada operação. Já no primeiro mês você vai ver a margem por carro e vai poder decidir com base em números, e não no achismo.

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