Com lucro, mas sem dinheiro: 7 insights financeiros que vão mudar a mentalidade de um empreendedor
Você trabalha duro. A equipe dá o melhor de si, as vendas acontecem, os clientes pagam. Mas, todo mês, a situação se repete: o relatório mostra lucro, só que sobra pouco dinheiro na conta. Parece que está tudo bem, mas a tranquilidade não vem.
Isso não é fracasso. É gestão no escuro. É uma empresa que está crescendo, mas sem controle. São números que até “existem”, mas não conversam com você.
Alyona Shpachenko, consultora de escala de negócios, fundadora da GxBar Madrid, empreendedora com 20 anos de experiência e convidada do podcast “Se eu soubesse disso antes”, conhece essa história por dentro.
Ela já viu dezenas de empreendedores construírem empresas fortes — e, mesmo assim, caírem na mesma armadilha: existe lucro, mas não existe dinheiro. Neste artigo, ela compartilha o que sabe sobre para onde o caixa desaparece, como pensar em números em vez de emoções e o que significa ser um dono financeiramente sóbrio.
Este artigo é para você que quer entender como o dinheiro realmente funciona no seu negócio. Não de forma burocrática, nem “no papel”, mas na prática. Você vai ver por que os números do DRE são diferentes do saldo na conta, como separar lucro de ilusão de lucro e o que significa retirar dinheiro sem prejudicar a empresa.
Continue lendo e aprenda a enxergar o que muitos donos só percebem quando já é tarde demais.
Insight 1. Hábito nº 1 — Saber seus números de cabeça
Você pode conhecer seu negócio no feeling, saber de cor quem são seus clientes e cada pessoa da equipe, mas, se não conhece seus números, está jogando no escuro. Quando o dono não enxerga os números reais, toma decisões com base em emoções, não em fatos. E emoção é o pior analista.
O negócio só fala por meio dos números, por meio da análise. — Alyona Shpachenko, fundadora da GxBar Madrid, empreendedora com 20 anos de experiência
Por que isso importa
Enquanto você não vê os números, o negócio parece “vivo”, mas, na prática, ele está desorganizado.
- Você não entende quais meses são realmente lucrativos e quais estão puxando a empresa para baixo.
- Você não percebe que o crescimento da receita pode andar junto com a queda da margem.
- Você não consegue explicar para onde o dinheiro está indo se as vendas estão crescendo.
A maioria dos empreendedores se apoia na intuição: “Este mês parece bom”, “Os custos não mudaram”. Só que os números muitas vezes mostram o contrário. E são eles que dão uma tranquilidade que dinheiro nenhum compra — quando você sabe exatamente o que está acontecendo na sua empresa.
O que você precisa saber de cabeça
O mínimo que você precisa acompanhar toda semana — não para prestar contas, mas para tomar decisões:
| Indicador | Por que saber | Como conferir |
|---|---|---|
| Receita mensal | Entender o nível de faturamento e como a tendência muda | Comparar com o mês anterior e com o ano passado |
| Custo dos produtos vendidos (%) | Ajuda a ver se os custos estão consumindo toda a receita | Conferir no DRE ou calcular por categorias |
| Lucro bruto (UAH e %) | Mostra quanto de lucro você ganha a cada 1 UAH de receita | Fórmula: Receita – CPV |
| Custos fixos | Mostra quanto custa manter o negócio mesmo sem vendas | Separar por categorias: salário, aluguel, marketing etc. |
| Ponto de equilíbrio | Nível mínimo de receita abaixo do qual o negócio dá prejuízo | Calcular: Custos fixos ÷ (1 – CPV%) |
| Rentabilidade (lucro líquido %) | Mede a eficiência da operação | Lucro líquido ÷ Receita × 100% |
Como fazer isso de forma sistemática
Siga estes passos:
- Defina um conjunto de métricas-chave (no máximo 3 a 5). Elas são seus pontos de referência constantes, não números aleatórios.
- Crie um “ritual dos números” — um dia e horário para revisar os indicadores (por exemplo, toda sexta-feira às 10h).
- Não delegue a análise por completo. Um financeiro pode fazer as contas, mas você precisa entender os números.
- Observe tendências, não picos isolados. Um mês sozinho não diz tudo — olhe a dinâmica de 3 a 6 meses.
- Converse com a equipe usando números. Não diga “Precisamos vender mais”, diga “Precisamos aumentar nossa margem em 3%”.
Resultado
Quando você conhece seus números:
- toma decisões mais rápido e com mais calma;
- enxerga problemas antes que virem crises;
- para de confundir lucro com dinheiro;
- controla em vez de adivinhar.
Se um empreendedor toma decisões com base em sensações, isso é gestão inconsciente. Os números tornam a gestão consciente. — Alyona Shpachenko, fundadora da GxBar Madrid, empreendedora com 20 anos de experiência
Quer estabilidade, mesmo quando o mercado está turbulento? Comece por esse hábito. Não por programas ou fórmulas — comece simplesmente por “saber seus números de cabeça”. Esse é o melhor seguro para o seu negócio.
Insight 2. DRE ≠ dinheiro no banco
Lucro no DRE não é igual a dinheiro na conta. — Alyona Shpachenko, fundadora da GxBar Madrid, empreendedora com 20 anos de experiência
Essa provavelmente é a descoberta mais dolorosa para a maioria dos empreendedores. O relatório mostra lucro, tudo parece bem. Mas a conta está vazia. Aí vem a pergunta lógica: como isso é possível?
O motivo é simples: o DRE (demonstrativo de resultados) mostra competência, não dinheiro.
Ou seja, receitas e despesas são registradas não quando você recebeu ou pagou, mas quando elas foram geradas. Essa é a lógica contábil — útil para análise, mas perigosa se você não entende a diferença.
Qual é a diferença entre DRE e relatório de fluxo de caixa
| Relatório | O que mostra | Características | Para que serve |
|---|---|---|---|
| DRE (lucro/prejuízo) | Mostra quanto o negócio ganhou no período | Inclui receita mesmo que o cliente ainda não tenha pago | Útil para avaliar eficiência |
| Fluxo de caixa (movimento de dinheiro) | Mostra quanto dinheiro realmente entrou e saiu | Considera apenas recebimentos e pagamentos efetivos | Crítico para a sobrevivência |
É por isso que acontece de você ter um lucro de +200.000 UAH no DRE, mas apenas 50.000 UAH na conta.
O lucro aparece porque a receita já foi reconhecida, mas o dinheiro ainda não entrou porque os clientes não pagaram, ou porque você se adiantou e fez gastos grandes.
Situações típicas em que lucro ≠ dinheiro
- Contas a receber altas.
Você vendeu, mas ainda não recebeu. No DRE — receita; no fluxo de caixa — zero.
Solução: acompanhe os pagamentos por contrato, crie limites de crédito ou um sistema de pagamento antecipado.
- Adiantamentos a fornecedores.
Você pagou antes, mas o produto/serviço ainda não entrou como despesa.
Solução: registre adiantamentos separadamente para ver quanto dinheiro está “congelado”.
- Impostos, salários e bônus “para depois”.
Eles ainda não foram pagos, então não reduzem seu caixa agora, mas logo vão bater na conta.
Solução: planeje esses pagamentos no calendário de pagamentos — mesmo que ainda não esteja na data de pagar.
- Investimentos e grandes despesas pontuais.
Comprar equipamentos, reformar o escritório, modernizar o estoque — tudo isso não afeta o DRE de uma vez, mas consome dinheiro imediatamente.
Solução: separe despesas de investimento das despesas operacionais.
Como ligar lucro ao caixa
Para entender por que há menos dinheiro na conta do que no DRE, você precisa construir uma ponte entre lucro e caixa.
Passos:
- Pegue o lucro líquido do DRE.
- Subtraia o aumento das contas a receber (o que devem para você).
- Some o aumento das contas a pagar (o que você deve).
- Considere as mudanças no estoque — se você comprou mais mercadoria do que vendeu, o dinheiro foi para o estoque.
- Subtraia impostos, dividendos, investimentos, adiantamentos — tudo que consome seu caixa.
Depois disso, você verá o resultado real de caixa do mês. E muitas vezes ele é bem diferente do lucro.
O que fazer regularmente
| Ação | Frequência | Resultado |
|---|---|---|
| Conciliar DRE com fluxo de caixa | Mensalmente | Entender por onde o dinheiro está “vazando” |
| Conferir contas a receber e a pagar | Semanalmente | Evitar buracos de caixa |
| Planejar o fluxo de caixa com antecedência | Semanalmente | Saber o que você conseguirá pagar no prazo |
| Analisar pagamentos grandes | Uma vez por mês | Separar despesas operacionais de despesas pontuais |
Resultado
Quando você enxerga os dois lados — lucro e caixa — para de confundir “ganhei” com “recebi”.
- Você entende para onde o dinheiro está indo.
- Você começa a planejar pagamentos em vez de reagir a crises.
- Você vê como decisões de venda, prazo ou gasto afetam o movimento do dinheiro.
Uma empresa pode ser lucrativa e estar quebrada ao mesmo tempo. Se você não controla o caixa, os números do relatório não vão salvar você. — Alyona Shpachenko, fundadora da GxBar Madrid, empreendedora com 20 anos de experiência
É aqui que começa a verdadeira maturidade financeira: não comemorar lucro no Excel, mas gerenciar o que realmente se move — o dinheiro na sua conta.
Insight 3. Como retirar dinheiro do negócio do jeito certo
Seu negócio não é você. — Alyona Shpachenko, fundadora da GxBar Madrid, empreendedora com 20 anos de experiência
Esse é o ponto em que até empreendedores fortes “se queimam”. Você cria uma empresa, investe nela seu tempo, seus nervos e sua energia — e acredita, com lógica, que tem o direito de tirar dinheiro dela quando quiser. Mas, muitas vezes, é exatamente isso que destrói a estabilidade financeira da empresa.
Se você retira tudo que sobra na conta depois de um mês de trabalho, não está tirando lucro: está queimando capital de giro. Aquele dinheiro que amanhã será necessário para salários, compras ou impostos. Depois vêm os buracos de caixa, empréstimos, pânico e a corrida para “achar dinheiro rápido”.
A regra principal
Você não pode tirar do negócio mais do que ele realmente ganhou.
E mesmo o que foi ganho não pode ser retirado imediatamente. Primeiro, é preciso verificar se há dinheiro suficiente para despesas operacionais e para uma reserva de segurança.
Algoritmo para retirada segura de dinheiro
| Etapa | O que fazer | Objetivo |
|---|---|---|
| 1. Calcule o ponto de equilíbrio | Encontre a receita mínima para o negócio não ficar no vermelho | Entender a partir de qual valor começa o “lucro real” |
| 2. Confira o lucro líquido no DRE | Esse é o seu “teto” teórico para retiradas | Mas nem todo esse valor está disponível em caixa imediatamente |
| 3. Concilie com o fluxo de caixa | Garanta que, depois dos pagamentos planejados, ainda haverá reserva | Só dá para retirar dinheiro que realmente existe |
| 4. Deixe capital de giro | Pelo menos 50% do faturamento mensal deve permanecer no negócio | Essa é sua reserva financeira e garantia de operação sem interrupções |
| 5. Defina um limite de retirada | Fixe um percentual do lucro líquido (por exemplo, 30–50%) | Isso traz disciplina e previsibilidade |
Depois de trabalhar um mês, a gente não coloca no bolso tudo que sobrou na conta. — Alyona Shpachenko, fundadora da GxBar Madrid, empreendedora com 20 anos de experiência
Como isso funciona na prática
- Em vez de “retirar tudo”, planeje “quanto é possível”.
Você sabe com antecedência quanto do lucro poderá retirar no fim do mês. O restante fica em circulação. - Gastos pessoais ≠ negócio.
Orçamento pessoal separado. Empresa separada. Se você precisa de dinheiro, planeje dividendos ou pró-labore, não “tiro porque preciso”. - Em vez de surpresas, um ritmo financeiro.
Retire uma vez por mês, depois de analisar os relatórios, não de forma aleatória. Isso cria previsibilidade para você e para a equipe.
Exemplo prático
- Receita mensal: UAH 1.000.000
- Lucro líquido segundo o DRE: UAH 150.000 (15%)
- Capital de giro planejado (50% do faturamento mensal): UAH 500.000
- Saldo atual na conta: $620.000
Valor seguro para retirada = 620.000 – 500.000 = 120.000 UAH
Mas não mais do que o lucro líquido (150.000 UAH).
Então, você pode retirar com segurança 120.000 UAH e ainda manter uma “reserva” para estabilidade.
Resultado
Quando você começa a trabalhar com essa regra:
- sua empresa para de “afundar” depois de cada mês;
- os buracos de caixa desaparecem;
- você não tem medo de despesas ou impostos, porque sabe que estão cobertos;
- o dinheiro deixa de ser fonte de estresse — vira ferramenta de gestão.
O negócio precisa viver a própria vida. Se você drena a empresa o tempo todo, ela simplesmente não consegue crescer. — Alyona Shpachenko, fundadora da GxBar Madrid, empreendedora com 20 anos de experiência
Isso é maturidade financeira para o dono: tirar dinheiro do negócio com consciência, não por impulso. Porque lucro não é sinal de “sacar”; é sinal de “gerenciar”.
Insight 4. Excel vs. software: onde calcular e onde gerenciar
Eu amava o Excel até começar a trabalhar com o Finmap. — Alyona Shpachenko, fundadora da GxBar Madrid, empreendedora com 20 anos de experiência
A maioria dos empreendedores começa o controle financeiro no Excel. E tudo bem: é simples, conhecido e não exige gastos adicionais. Mas, mais cedo ou mais tarde, a planilha vira caos — centenas de linhas, fórmulas quebradas, dezenas de versões do arquivo e a pergunta: “Onde está o dado atualizado?”
Esse momento chega. E é aí que você precisa entender: Excel é uma ótima ferramenta de análise, mas não de gestão financeira sistemática.
Qual é a diferença entre Excel e software financeiro
| Tarefa | Excel | Software financeiro |
|---|---|---|
| Modelagem flexível, cenários “e se” | Ideal: permite calcular qualquer variação, fazer previsões e testar hipóteses | Menos flexível, mas suficiente para relatórios padrão |
| Controle diário e dados reais | Fácil errar; difícil acompanhar todos os pagamentos | Atualizações automáticas, conexão com bancos, saldos precisos |
| Visualização e relatórios | Exige configuração manual | DRE, fluxo de caixa e balanços em poucos cliques |
| Trabalho em equipe | Problemas com acesso e edições simultâneas | Perfis, permissões e sincronização disponíveis |
| Controle por projeto/cliente | É preciso duplicar fórmulas e abas | Permite manter DRE por projeto/cliente separadamente |
O programa calculou automaticamente o DRE e o fluxo de caixa — e na hora ficou claro que a conta não fechava. — Alyona Shpachenko, fundadora da GxBar Madrid, empreendedora com 20 anos de experiência
Quando manter o Excel
Excel não é inimigo. Ele é necessário quando você precisa:
- criar um modelo financeiro ou calcular cenários de desenvolvimento do negócio;
- simular cenários “e se”: aumentar preços, cortar custos, lançar uma nova linha de negócio;
- analisar detalhes de projetos em profundidade, quando flexibilidade e configuração manual são necessárias.
Em outras palavras, o Excel é um laboratório. Ali você brinca com os números para entender como eles se comportam. Mas laboratório não substitui a realidade.
Quando migrar para um programa
Um programa financeiro se torna necessário quando:
- Você já tem um volume de transações que não consegue acompanhar manualmente.
Erros no Excel custam caro — especialmente quando não aparecem de imediato. - Sua equipe participa das finanças.
Uma pessoa paga contas, outra envia comprovantes, outra gera relatórios — todo mundo precisa de um sistema único. - Você precisa de análise diária.
O programa mostra o que está acontecendo agora, não depois que o arquivo é atualizado no fim do mês. - Você quer ver o retrato financeiro na hora.
DRE, fluxo de caixa, saldos, dívidas — tudo em um só lugar, sem fórmulas.
A fórmula ideal é “Excel + programa”
| Etapa | Ferramenta | Resultado |
|---|---|---|
| Controle diário, pagamentos, contas a receber, relatórios | Software | Dados limpos e estruturados, sem problema de “esqueci de lançar” |
| Análises, cenários, decisões estratégicas | Excel | Modelagem, teste de hipóteses, planejamento de crescimento |
| Gestão de projetos, análise de desempenho | Software de controle por projeto | Mostra qual área dá lucro e qual puxa o resultado para baixo |
Eu percebi que o Excel é bom quando você está planejando. E o programa é bom quando você está gerenciando. — Alyona Shpachenko, fundadora da GxBar Madrid, empreendedora com 20 anos de experiência
Resultado
Quando você separa esses dois papéis:
- o caos financeiro desaparece — os dados estão sempre atualizados;
- você vê o quadro completo: não só o plano, mas também o realizado;
- a equipe trabalha com transparência, sem “eu não vi essa versão do arquivo”;
- você reduz a quantidade de erros que custam dinheiro.
Seu objetivo é não fazer conta manualmente, mas entender o que está acontecendo com o dinheiro. Excel é ferramenta de raciocínio. Programa é ferramenta de controle. Juntos, eles entregam a melhor combinação: visão estratégica + precisão operacional.
Leia mais sobre como escolher um programa de gestão financeira.
Insight 5. Contador ≠ financeiro: papéis diferentes, objetivos diferentes
Não espere que um contador seja um financeiro. — Alyona Shpachenko, fundadora da GxBar Madrid, empreendedora com 20 anos de experiência
Um dos erros mais comuns dos donos é delegar a gestão financeira ao contador. Parece lógico: “ele trabalha com números”. Mas contador e financeiro falam línguas diferentes. Um fala de obrigações e legislação, o outro de eficiência e crescimento. E, se você confunde esses papéis, sua empresa fica sem gestão estratégica do dinheiro.
Qual é a diferença entre contador e financeiro
| Papel | Objetivo | Foco | Resultado |
|---|---|---|---|
| Contador | Cuida da contabilidade para o governo | Legalidade, impostos, declarações | Declarações fiscais, balanço, ausência de multas |
| Gestor financeiro / consultor | Gerencia o dinheiro para o dono | Lucro, liquidez, crescimento | DRE, fluxo de caixa, análise de desempenho, recomendações |
| Dono | Toma decisões | Capital, estratégia, estabilidade | Quanto investir, quanto retirar, onde escalar |
Um contador fecha o mês, mas não vai dizer por que não tem dinheiro. — Alyona Shpachenko, fundadora da GxBar Madrid, empreendedora com 20 anos de experiência
Exemplos práticos
- Contador: informa que está tudo certo — há lucro, os impostos foram pagos.
- Financeiro: enxerga que o lucro está “no papel”, mas o caixa se perdeu nas contas a receber.
- Dono: precisa decidir o que fazer em seguida — aumentar preços, cortar custos, mudar a política de pagamento.
No primeiro caso, você está apenas “em dia com o Fisco”.
No segundo, você está em dia com o seu negócio.
Por que isso é importante
- Contabilidade olha para o passado.
Ela mostra o que já aconteceu.
Relatórios, notas, contas e declarações vêm “depois do fato”. - Gestão financeira olha para o presente e para o futuro.
Ela mostra para onde o negócio está indo e permite gerenciar esse movimento.
É o financeiro que analisa margem, rentabilidade, buracos de caixa, planejado versus realizado e a lucratividade de diferentes áreas. - Sem a função financeira, você não enxerga o quadro completo.
Mesmo o melhor contador não consegue mostrar o que está acontecendo com a eficiência.
Resultado: existe lucro, mas não existe dinheiro.
Como distribuir os papéis corretamente
| Função | Responsável | Resultado esperado |
|---|---|---|
| Contabilidade fiscal | Contador | Declarações no prazo, sem multas |
| Contabilidade gerencial | Gestor financeiro | DRE mensal, fluxo de caixa, análises |
| Calendário de pagamentos | Gestor financeiro + dono | Controle da liquidez |
| Tomada de decisões financeiras | Dono | Equilíbrio entre lucro e estabilidade |
| Auditoria de processos | Gestor financeiro | Identificação de ineficiências |
Um contador cuida dos registros para o governo. Um financeiro cuida dos registros para você. E são tarefas completamente diferentes. — Alyona Shpachenko, fundadora da GxBar Madrid, empreendedora com 20 anos de experiência
O que fazer se você ainda não tem um financeiro
- Não delegue a gestão financeira “no feeling”.
Mesmo sem um financeiro, você precisa conhecer os relatórios básicos: DRE, fluxo de caixa, contas a receber. - Mantenha a contabilidade gerencial em um programa.
Esse é o seu “painel financeiro”, onde tudo fica visível em tempo real. - Consulte um especialista financeiro pelo menos uma vez por trimestre.
Ele vai ajudar você a entender os números, encontrar pontos fracos e ajustar o plano. - Introduza gradualmente a função financeira na equipe.
Mesmo um financeiro em meio período muitas vezes se paga em poucos meses.
Resultado
Quando contador e consultor financeiro fazem cada um a sua parte:
- você tem um negócio regularizado e lucrativo ao mesmo tempo;
- você sabe não só quanto pagar, mas também por que vale a pena fazer desse jeito;
- os números deixam de ser caos — viram seu sistema de gestão.
A contabilidade mantém você nos trilhos. As finanças dão impulso. — Alyona Shpachenko, fundadora da GxBar Madrid, empreendedora com 20 anos de experiência
Isso é ser um dono maduro: entender que relatório correto não é garantia de empresa saudável.
A garantia é quando você gerencia o dinheiro, não apenas presta contas sobre ele.
Leia mais sobre a diferença entre contabilidade e contabilidade gerencial.
Insight 6. Erros financeiros comuns — e como corrigir
Problemas financeiros raramente aparecem do nada. Na maioria das vezes, eles são resultado de ações habituais, mas equivocadas, que parecem “lógicas” no momento.
Gastos desnecessários, decisões impulsivas, mistura de dinheiro pessoal com dinheiro da empresa — tudo isso corrói a estabilidade aos poucos. Alyona chama isso de “autoengano financeiro”, que precisa ser corrigido — ou seja, mudar a própria lógica de pensamento do dono.
As armadilhas financeiras mais comuns para empreendedores
| Erro | Como aparece | Consequência | Como corrigir |
|---|---|---|---|
| 1. Misturar dinheiro pessoal e dinheiro da empresa | “A empresa é minha, posso tirar quando quiser” | O negócio perde capital de giro, surgem buracos de caixa e a sensação de “não tem dinheiro” | Abra uma conta separada para a empresa. Defina limite e calendário para retiradas pessoais |
| 2. Focar em receita, não em lucro | “O importante é vender mais” | A receita cresce sem lucro; a margem “derrete” | Analise margem e lucro líquido, não só volume de vendas |
| 3. Cortar custos de forma brusca | “Precisamos sobreviver — corta tudo” | A qualidade cai, a equipe desmotiva, a receita diminui | Avalie eficiência, não só economia. Olhe os custos pelo retorno que geram |
| 4. Lançar despesas pontuais “tudo em um mês” | “Foi exceção, este mês foi azar” | O lucro parece pior do que realmente é | Separe despesas pontuais para enxergar o resultado operacional |
| 5. Acreditar que “de algum jeito vai dar certo” | “Agora está difícil, mas depois a gente recupera” | Sem plano, sem controle, o caos se acumula | Acompanhe planejado versus realizado, analise cada mês para ver tendências, não apenas torça |
| 6. Ignorar análises | “Já está tudo claro” | Vazamentos invisíveis, perda de rentabilidade | Mesmo gráficos simples no DRE revelam o que não aparece “no olho” |
Eu sempre defendo a análise, porque ela revela o que a intuição esconde. — Alyona Shpachenko, fundadora da GxBar Madrid, empreendedora com 20 anos de experiência
Por que esses erros parecem lógicos
Você age com boas intenções: quer manter a empresa de pé, economizar, investir para crescer. Mas o problema não está nas suas intenções — está nos seus pontos cegos. Sem números, você não vê o que realmente funciona e o que apenas parece certo.
Por exemplo:
- Você corta custos e, junto com eles, sua receita cai.
- Você aumenta as vendas, mas a margem é engolida por promoções.
- Você acha que está lucrando, mas o dinheiro está preso nas contas a receber.
Sem análise, essas conexões ficam invisíveis. Por isso Alyona insiste: sobriedade financeira não é só contar dinheiro, é conseguir enxergar relações de causa e efeito.
Como reprogramar o pensamento do dono
- Adote a regra “primeiro os números, depois a decisão”.
Nada de “eu acho”. Mesmo decisões pequenas devem se apoiar em dados. - Separe finanças pessoais e empresariais.
Isso não é formalidade, é uma forma de proteger o negócio de decisões emocionais. - Mantenha relatórios gerenciais de forma contínua.
Não quando o incêndio começa, mas todo mês. DRE e fluxo de caixa são a base. - Faça uma “revisão do mês” depois de cada fechamento.
Compare o planejado com o realizado, encontre os motivos dos desvios e anote o que precisa mudar. - Comemore os acertos.
Cada mês com dinâmica positiva é prova de que o controle está funcionando. Isso é importante para manter a motivação.
Resultado
Quando você reprograma seu pensamento financeiro:
- as decisões ficam mais calmas, sem pânico;
- os altos e baixos de caixa desaparecem — você passa a ter dinheiro de forma consistente;
- você entende por onde o lucro está “escorrendo” e como estancar isso;
- a análise deixa de ser uma “tabela assustadora” e vira sua linguagem de gestão.
Assim que você começa a conversar com o negócio na linguagem dos números, ele começa a responder. — Alyona Shpachenko, fundadora da GxBar Madrid, empreendedora com 20 anos de experiência
Sobriedade financeira não é rigidez, é clareza. Porque só quando você enxerga a realidade sem ilusões consegue construir um negócio que realmente dá dinheiro — e traz tranquilidade.
Insight 7. Rentabilidade e margem — em termos simples
Rentabilidade é o percentual que você ganha sobre a receita. — Alyona Shpachenko, fundadora da GxBar Madrid, empreendedora com 20 anos de experiência
A maioria dos empreendedores diz: “A gente ganha bem”. Mas, se você pergunta “Qual é a sua rentabilidade?”, a resposta muitas vezes vem no chute. E é aí que começam as ilusões financeiras: a receita cresce, mas o dinheiro não aumenta. O problema não é o negócio ser “ruim”; é que você não está medindo eficiência em percentuais.
Rentabilidade e margem são suas principais bússolas financeiras. Sem elas, você não vê onde a empresa realmente ganha dinheiro e onde apenas gira dinheiro.
Qual é a diferença
| Métrica | O que significa | Fórmula | Por que é necessária |
|---|---|---|---|
| Margem (margem bruta) | Quanto sobra depois do CPV, antes dos custos fixos | (Receita – CPV) / Receita × 100% | Mostra se o negócio cobre seus custos |
| Rentabilidade (lucro líquido) | Quanto lucro líquido você obtém de cada unidade de receita | (Lucro líquido / Receita) × 100% | Mostra quão eficiente é a operação |
| Ponto de equilíbrio | Receita mínima em que o lucro = 0 | Custos fixos ÷ (1 – CPV%) | Mostra o limite abaixo do qual o negócio “se consome” |
Quando você vê a rentabilidade em percentuais, começa a entender de verdade como o negócio funciona. — Alyona Shpachenko, fundadora da GxBar Madrid, empreendedora com 20 anos de experiência
Como funciona na prática
Exemplo:
- Receita — UAH 1.000.000
- Custo — 600.000 UAH
- Custos fixos — UAH 300.000
- Lucro líquido — 100.000 UAH
- Margem: (1.000.000 – 600.000) / 1.000.000 = 40%
- Rentabilidade: 100.000 / 1.000.000 = 10%
- Ponto de equilíbrio: 300.000 ÷ (1 – 0,6) = 750.000 UAH
Isso significa:
- O negócio só começa a dar lucro depois de 750.000 UAH de receita.
- Cada hryvnia acima desse nível traz 40 kopecks de margem, mas, depois de todas as despesas, sobram 10 kopecks de lucro líquido.
Como usar esses indicadores na gestão:
- Calcule a margem de cada produto ou área.
Nem toda venda é igualmente boa. Existem vendas que “geram faturamento”, mas não lucro.
Foquem nos produtos de alta margem e otimize o restante. - Calcule a rentabilidade regularmente.
Uma vez por mês, analise qual percentual de lucro líquido o negócio gera.
Se cair, nem sempre é preciso “vender mais” — muitas vezes é necessário reduzir custos variáveis ou despesas fixas. - Trabalhe com o ponto de equilíbrio.
Conhecendo esse número, você entende quanto precisa faturar para sobreviver — e tudo acima disso é crescimento.
Isso reduz o pânico: você enxerga os limites reais de segurança. - Calcule a lucratividade dos projetos.
Um cliente pode parecer grande, mas, na prática, consumir mais recursos do que traz.
A análise financeira mostra quem vale escalar e quem é melhor deixar ir.
Equívocos comuns
| Mito | Realidade |
|---|---|
| “O mais importante é faturamento” | Faturamento sem margem é só dinheiro circulando, não lucro. |
| “Desconto ajuda a vender” | Muitas vezes, ele “come” o lucro. Melhor trabalhar valor, não preço. |
| “Se vender mais, fica mais fácil” | Sem controle de margem, vender mais pode apenas acelerar a perda de caixa. |
| “Margem é coisa de empresa grande” | Pequenas empresas são as que mais precisam dela: cada unidade de dinheiro importa. |
Resultado
Quando você começa a pensar em percentuais, e não só em valores absolutos:
- você vê quais vendas são realmente lucrativas e quais são apenas ilusão de crescimento;
- você entende onde otimizar para aumentar o lucro sem aumentar o faturamento;
- você toma decisões com base em fatos, não em intuição;
- você consegue explicar com clareza para a equipe: “A gente não trabalha só para vender, trabalha para ganhar dinheiro.”
Rentabilidade é como a temperatura do corpo de uma empresa. Se você não mede, não sabe se ela está saudável ou não. — Alyona Shpachenko, fundadora da GxBar Madrid, empreendedora com 20 anos de experiência
Uma regra simples da Alyona
Você precisa crescer não em receita, mas em rentabilidade. Porque crescimento sem lucro é só se aproximar do limite.
Se você controla margem e rentabilidade, enxerga não só o tamanho do negócio, mas também sua qualidade.
E é a qualidade que determina se você consegue retirar dinheiro da conta com segurança, sem colocar a estabilidade da empresa em risco.
Sobriedade financeira: quando seu negócio finalmente começa a conversar com você
O dinheiro existe. Você só precisa saber como encontrá-lo. — Alyona Shpachenko, fundadora da GxBar Madrid, empreendedora com 20 anos de experiência
Esses sete insights não são sobre fórmulas. São sobre a mentalidade que separa um dono estressado de um líder confiante. Tudo o que Alyona Shpachenko diz se resume a uma coisa: o negócio não esconde dinheiro de você — ele só quer que você aprenda a enxergá-lo.
O que une todos os insights
- Saber seus números de cabeça — para não confundir intuição com realidade.
- Diferenciar lucro de caixa — para não se perguntar por que não tem dinheiro.
- Retirar dinheiro com consciência — para não matar a empresa em um momento de emoção.
- Usar software, não só Excel — para que os dados trabalhem para você, em vez de ficarem parados em arquivos.
- Separar papéis — para que o contador preste contas ao governo e o financeiro ajude você a ganhar dinheiro.
- Perceber o autoengano financeiro — para você não precisar apagar incêndios que você mesmo começou.
- Pensar em percentuais, não em sensações — para enxergar onde está o lucro real e onde existe apenas faturamento.
O que vai mudar quando você começar a agir
- O dinheiro vai parar de desaparecer “entre as linhas”.
Você vai entender cada hryvnia: para onde vai e de onde vem. - Suas decisões ficarão mais calmas.
Não haverá pânico de “onde vou conseguir dinheiro amanhã” — haverá um plano de “como trabalhar com estabilidade”. - O negócio deixará de parecer uma luta e passará a parecer controle.
Você verá que rentabilidade não é coincidência, é resultado de um sistema.
Nesta semana, dê um passo rumo ao controle das suas finanças
| Passo | Objetivo |
|---|---|
| 1. Abra seus relatórios e anote três números-chave: lucro, caixa e rentabilidade | Esse é seu ponto de partida |
| 2. Confira se você não está confundindo DRE com dinheiro real | Descubra por onde o lucro “vaza” |
| 3. Defina uma regra para retirar dinheiro | Torne a empresa estável, não emocional |
| 4. Escreva quem é responsável por quê — contador, financeiro, você | Para não esperar mais o impossível |
| 5. Acompanhe os números constantemente | Porque clareza financeira é hábito diário, não projeto pontual |
Sobriedade financeira não é austeridade, é liberdade. É quando você não corre atrás do dinheiro, mas o dinheiro trabalha sob o seu controle. Quando cada número faz sentido e cada decisão se apoia em fatos, não em “parece que”.
Eu quero que as pessoas se interessem por números. Aí os números começam a falar com elas. — Alyona Shpachenko, fundadora da GxBar Madrid, empreendedora com 20 anos de experiência
Se o negócio é uma conversa entre você e o dinheiro, a sobriedade financeira é o momento em que vocês finalmente começam a se entender.
Perguntas frequentes
Porque o DRE registra receitas e despesas pelo regime de competência — quando elas acontecem, não quando o dinheiro de fato entra ou sai. A empresa pode aparecer com lucro enquanto os clientes ainda não pagaram ou enquanto você já antecipou pagamentos a fornecedores, impostos ou salários. Para enxergar o dinheiro real, você precisa de um relatório de fluxo de caixa, não só do DRE.
No mínimo, acompanhe o faturamento mensal, o custo dos produtos vendidos, o lucro bruto, os custos fixos, o ponto de equilíbrio e a margem de lucro líquido. Conhecer de 3 a 5 indicadores-chave ajuda você a tomar decisões com base em fatos, não na emoção, e a identificar problemas antes que virem crises.
O DRE mostra quanto a empresa gerou em determinado período, incluindo receitas que o cliente ainda não pagou — ele é útil para medir eficiência. O relatório de fluxo de caixa mostra o dinheiro que realmente entrou e saiu, que é o que determina a sobrevivência do negócio. Você precisa dos dois: um para análise, o outro para a liquidez do dia a dia.
Faça retiradas com base na disponibilidade real de caixa, não no lucro que aparece em um relatório. Primeiro, planeje as obrigações futuras — impostos, salários, adiantamentos a fornecedores — em um calendário de pagamentos e retire apenas o que sobrar depois de cobrir esses compromissos. Assim, a empresa continua solvente mesmo quando o DRE parece saudável.
